Em O espaço da memória em José Saramago, de Denise Noronha Lima, professora e pesquisadora do escritor português, entre outros escritores a que foram dedicados outros estudos, encontramos originalmente uma Tese de Doutoramento em Literatura Comparada, compreendendo vertentes críticas como: Escrita Autobiográfica, Memória, História, a perfazerem categorias essenciais a uma investigação tanto formal, incluindo-se minucioso detalhamento dos recursos discursivos, quanto o alcance estético da linguagem de José Saramago (1922-2010).
O alinhamento entre os recursos formais e estéticos da obra examinada em seu conjunto, tanto observando o caminho cronológico de escrita, entre tantas atividades desenvolvidas pelo escritor, quanto o domínio estético, alcançado na poesia e na prosa, o alinhamento, constatamos, aponta a formação rigorosa e apaixonada da pesquisadora, mas, igualmente acompanha uma trajetória que, necessariamente, destaca os inícios, desde 1947, com Terra do Pecado, ao fechamento de uma escrita até tornar-se um estilo, com Caim, de 2009, e póstumas.
O estudo criativo, que agora alcança um público mais diversificado, reúne alguns conhecimentos para a ciência do homem, ou ciência de compreensão do humano, através da arte, em destaque, a arte literária: com tais exigências, a pesquisa de Denise Noronha Lima com as categorias elencadas, foge a uma designação apressada, de crítica motivada pela proximidade com a obra; ou seja, o estudo ultrapassa a visão de que biografia, memorialismo se bastariam da subjetividade do autor, com apoio em rastros da vida, de confissões, de depoimentos pessoais, correspondências e afins.
A crítica biográfica cultiva uma reunião de critérios que o estudo criativo exige; ou seja, para além das impressões de autor e leitores, assinala as perguntas que alicerçam a diferença: conhecer quando aconteceu a construção de cada obra em análise; por que a feitura daquela obra se impôs imperiosamente diante do autor, imiscuindo-se em sua vida, tomando-a tão completamente; as circunstâncias que envolvem a vida também se fazem coadjuvantes e interlocutores fazem-se de vozes no colóquio de narradores.
Odalice de Castro Silva
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