Disúria é um romance visual escrito em forma de diário. O ponto de partida é simples: um cachorro adoece e não consegue urinar. A partir daí, o texto desenvolve uma sequência de breves registros que narram o processo da doença, as visitas ao veterinário, a espera pelos resultados, a frustração, a ternura e o esgotamento dos dias que se repetem. Cada registro é acompanhado por um desenho que funciona como uma projeção emocional do narrador, acrescentando humor, delírio e uma pista visual para aquilo que não pode ser nomeado diretamente.
Escrita na Galícia, a obra é também um retrato de Ferrol a partir da perspectiva de alguém que vem de fora. Surgem os sons dos sinos, os silêncios do bairro, as conversas com os vizinhos, a chuva incessante. A partir dessa condição de estrangeiro no cotidiano, Disúria explora a relação entre o ser humano e o animal, a vulnerabilidade do corpo e a dificuldade de acompanhar o sofrimento alheio. Nesta elegia de tom íntimo, absurdo e, por vezes, cômico, o mínimo — uma gota de urina — transforma-se em um símbolo total.
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