A escolha das obras literárias para os anos finais do ensino fundamental está prevista para ocorrer entre os dias 24/11/2025 a 08/12/2025.
Clique nas capas para conhecer as obras e baixe os Manuais do Professor completos.
PNLD 2024-2027 – ANOS FINAIS (Objeto: 03 – Obras Literárias destinadas aos Anos Finais)

Título
O homem do outdoor
Autora
Maria José Ferrada
Código da Coleção
0011 P24 03 02 000 000
Tema
Encontros com a diferença, Sociedade,
política e cidadania
Gênero
Romance
Sobre O homem do outdoor
Um homem decide morar num outdoor. Sobe dezesseis metros acima do chão, instala-se num espaço mínimo, entre ferragens, madeira e lona, e passa a viver ali, suspenso sobre a cidade. A partir desse gesto aparentemente absurdo, a rotina de uma pequena vila se desestabiliza: todos têm algo a dizer, julgar, supor.
Quem narra a história é Miguel, um menino de onze anos que observa, com curiosidade e lucidez, a reação dos adultos diante dessa presença incômoda, instalada no alto. Pelos olhos de Miguel e pela companhia de sua tia Paulina, acompanhamos as conversas, os boatos, os medos e as violências cotidianas que atravessam aquela comunidade.
Baseado em um fato real ocorrido na Espanha, O homem do outdoor transforma um acontecimento singular em uma poderosa reflexão sobre o modo como a sociedade lida com o diferente, com quem “foge da norma” e ousa viver de outro modo. Ao mesmo tempo em que revela a crueldade dos julgamentos, o livro abre espaço para a empatia, para o questionamento e para a possibilidade de ver o mundo “de outro lugar”, literalmente e simbolicamente.
Com linguagem simples, poética e precisa, María José Ferrada constrói um romance breve, mas de grande densidade, capaz de interpelar leitores jovens e adultos sobre temas como diferença, exclusão, violência simbólica, resistência e cidadania.
Por que adotar o livro?
O homem do outdoor convida os(as) leitores(as) a refletirem sobre como olhamos o outro: o que fazemos quando alguém decide viver de um modo que não entendemos? Observamos, respeitamos, julgamos, punimos? A narrativa acompanha Miguel tentando compreender Ramón, o homem instalado no outdoor, ao mesmo tempo em que percebe as reações da vila – da curiosidade ao preconceito, do fascínio à violência.
A obra permite trabalhar, em sala de aula e em bibliotecas, questões centrais para a formação ética e cidadã:
- Diferença e alteridade: o livro problematiza a maneira como a sociedade enquadra o “estranho” e o “desviante”, estimulando os(as) estudantes a se perguntarem quem tem o direito de escolher seu modo de viver.
- Julgamentos sociais e violência simbólica: o olhar dos moradores sobre Ramón expõe a força dos preconceitos, das fofocas e dos discursos moralizantes, abrindo espaço para discutir bullying, linchamento simbólico e cultura do cancelamento.
- Sociedade, política e cidadania: a vila funciona como um microcosmo social, em que se revelam tensões de classe, medo do diferente, mecanismos de controle e a dificuldade de conviver com o que escapa à norma.
- Olhar infantil e pensamento crítico: Miguel, como narrador, mistura ingenuidade e lucidez; a partir de suas perguntas, o livro convida os(as) estudantes a duvidarem das certezas dos adultos e a elaborarem seus próprios pontos de vista.
A narrativa dialoga com as Competências Gerais da BNCC, especialmente:
- Competência 1 – valorizar e utilizar conhecimentos para entender e explicar a realidade, colaborando para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
- Competência 9 – exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento à diversidade de indivíduos e modos de vida.
- Competência 3 – valorizar e fruir manifestações artísticas e culturais, participando de práticas de leitura literária que ampliem o repertório estético e crítico.
- Competência 4 – utilizar diferentes linguagens para expressar e partilhar experiências, emoções, ideias e interpretações, favorecendo o entendimento mútuo e a convivência.
Em contexto escolar, O homem do outdoor favorece o trabalho com as Competências Específicas de Linguagens, em especial:
- a compreensão da linguagem literária como construção histórica, social e cultural, que permite significar a realidade e expressar subjetividades e identidades;
- o desenvolvimento do senso estético e da leitura crítica, ao convidar os(as) estudantes a analisarem tanto a história narrada quanto as reações das personagens frente ao diferente.
As atividades propostas no Manual do Professor que acompanha a obra estimulam:
- protagonismo discente, por meio de rodas de conversa, debates, produção de textos e projetos de pesquisa;
- leitura crítica e criativa, articulando a experiência do livro com situações do cotidiano dos(as) estudantes (perfis em redes sociais, julgamentos em comunidade, exclusões e violências simbólicas);
- o diálogo entre literatura, direitos humanos, cidadania, ética e convivência democrática.
Trata-se de um livro especialmente potente para discutir temas contemporâneos como julgamento moral, normalidade, modos de vida dissidentes, empatia e responsabilidade coletiva, em sintonia com os temas transversais da BNCC, tais como “Direitos humanos”, “Cidadania e empatia”, “Convivência e respeito à diversidade”.
Ao trazer a história de um homem que decide suspender-se sobre a cidade, O homem do outdoor convida os(as) leitores(as) a reverem seu próprio ponto de vista: o que vemos quando olhamos de baixo? O que vemos quando tentamos olhar de cima? Entre chão e altura, o romance abre espaço para que a escola trabalhe leitura literária, sensibilidade ética e imaginação social de forma integrada e significativa.
Sobre a autora
María José Ferrada é escritora chilena, reconhecida internacionalmente por sua obra voltada para crianças, jovens e adultos, na qual combina lirismo, concisão e forte dimensão social. Já recebeu diversos prêmios por livros que abordam temas como memória, ditadura, direitos humanos, infância e experiência urbana.

Além de sua produção literária para o público infantojuvenil e jovem, Ferrada constrói narrativas que problematizam o cotidiano e revelam, com delicadeza e contundência, as fissuras da vida contemporânea. Sua escrita é marcada por um olhar sensível para as pequenas cenas do dia a dia, por personagens que vivem às margens e por uma atenção especial à forma como as crianças percebem e elaboram o mundo adulto.
Com O homem do outdoor, a autora oferece aos leitores brasileiros uma obra que articula simplicidade narrativa e densidade ética, ideal para projetos de leitura literária em escolas e bibliotecas que queiram promover empatia, pensamento crítico e discussão sobre direitos humanos.