Renata Flávia - Editora Moinhos

Renata Flávia

Renata Flávia nasceu em mil novecentos e oitenta e nove, em Teresina. Tem publicado o livro de poesias Mar Grave (2018, Moinhos).

  • Lustre de carne

    Era um blog, um exercício, um desabafo, vida, literatura, música, uma montanha de coisas amontoadas, assim o Lustre de carne nasceu em 2007.

    Eu construí o Lustre de dentro de uma sala entulhada de coisas que deviam ser descartadas e junto de outras que eu valorizava. Ali tinha o computador, discos, fitas, CDs, livros dos meus pais, uma estante do chão ao teto com tanto papel e treco que entortava um pouco, eletros para consertar, poeira, tapete velho, poltrona velha, vitrais em duas portas que davam pra uma sacadinha de princesa mesmo sem ter um andar, plantas lá fora, luz amarela e o lustre laranja tipo um abacaxi sem coroa que pende uma afiada ponta ameaçadora . Eu amo esse lugar.

    Eu deitada embaixo do lustre sempre pensando que ele pudesse despencar. Meu corpo ali inerte e vulnerável a tudo. É com carne que escrevo, não consigo arrumar isso às vezes, porque escorre e sinceramente acredito na falha, acredito nela no sentido de ter fé na falha e é somente por isso que tenho vontade de publicar.

    Não acaba a construção de uma escrita, não há tempo suficiente para acharmos a medida certa, é como eu penso. Então aqui vai meu amontoado, litros de antiguidades, dois dedos de novidades e um horizonte.

    Entre textos proseados e os versos caminho nessa cidade que sempre foi minha paisagem, imersa demais nesse meu descobrir, é confundindo que eu me localizava, fosse no pensamento, fosse nas praças. Tentei criar uma lógica nesse caminho, mas deixei que se fizesse cortes e espasmos assim como era o Lustre como um diário, como os dias: uma busca.

     

    março, dois mil e dezenove
    ao sul de Teresina

    Renata Flávia

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  • Mar grave

    Entre mares e marés

    Mais do que mar, este livro é maré. Maré feminina que nos inunda, nos aprofunda, nos lembra que toda mulher é feita de ciclos e sulcos, de mudanças e andanças. De nuances. Os poemas de Renata Flávia vêm em ondas. Às vezes parece que são capazes de afogar, outras dão a impressão de que se pode flutuar entre eles. Isso porque Renata sabe escolher as palavras e juntá-las como se fosse uma sereia que, com seu canto, encanta os navegantes e os leva ao fundo. Só que, neste caso, ao fundo de si mesma. O que nos leva a crer que mais do que mar, este livro é amar-se.

    Paula Taitelbaum
    Porto Alegre, abril de 2018.

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