Bruno Gaudêncio - Editora Moinhos

Bruno Gaudêncio

Bruno Gaudêncio é natural de Campina Grande – PB (1985), ― escritor, historiador e professor, é formado em Jornalismo e História pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Mestre em História pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). O autor publicou diversos livros, entre coletâneas de contos, antologias, ensaios e roteiros biográficos em quadrinhos. Na poesia lançou: O Ofício de Engordar as Sombras (2009, Sal da Terra); Acaso Caos (2013, Ideia); O Silêncio Branco (Patuá, 2015) e O Caos Anterior ou Uma Antologia de Si (2015, Patuá). Alguns dos seus poemas já foram publicados em revistas e sites culturais nacionais e internacionais, com destaque para Zúnai (São Paulo), Acrobata (Piauí), Literatas (Moçambique), Orizont Literar Contemporan (Romênia) e Samizdat (Portugal). Entre as titulações, é membro da Academia de Letras de Campina Grande (ALCG) e sócio efetivo do Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG). Participou recentemente da exposição Poesia Agora na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, em 2017, ao lado de outros 533 poetas do Brasil.

  • A cicatriz que canta o incêndio da raiz

    Na poesia, geralmente, as coisas acontecem a contrapelo, com o poeta forjando palavras-senhas para destravar os caminhos da BR dos sonhos. O novo trabalho de Bruno Gaudêncio, “a cicatriz que canta o incêndio da raiz”, não faz diferente. O livro traz 33 poemas e constrói uma atmosfera que perpassa os temas da morte, do exílio, das cicatrizes subjetivas e da memória que queima fundo da alma. Um trânsito imaterial que se desenvolve no diálogo sinuoso entre o encarar as ausências e o mergulhar no silêncio da paisagem interior, como em autoexílio.

    O novo livro de Bruno Gaudêncio evidencia a sequência bem-sucedida de um trabalho, que, desde as publicações anteriores, buscava uma assinatura singular. As cicatrizes e os incêndios das suas raízes apontam para uma poesia de síntese que exige do leitor uma atenção na leitura, um cuidado na decifração das imagens. Trabalho poético de quem vem aprendendo a lidar com a densidade da linguagem e que podemos perceber nos poemas: esôfago, cacos, cicatrizes, gênese, gramatura do som, tempo de fraturas e tertúlia nos ossos, que ocupa todo o segundo capítulo do livro.

    Na poesia do Bruno Gaudêncio, a palavra que acende a memória, a palavra que vira artifício de cicatrização, ganha dimensão poética como remédio. Vira uma máquina lírica que revolve vísceras no silêncio azul do céu e descansa dentro do peito da imaginação. O poeta cria um movimento de fuga para poder lamber e sarar as feridas, abrigado nos lençóis fibrosos da referência paterna.

    São tantos os instrumentos que criamos para sobreviver. Também são tantas as armadilhas que nos capturam. Resta-nos dar o golpe no medo e encarar a morte, como faz Bruno Gaudêncio em seu livro. Com um misto de dor e ternura, a sua poesia estende uma campina de fé que supera o rosário, amplia a devoção na fibra muscular da linguagem – o espaço de todo possível e da crença no infinito, onde a morte não é terror, nem o fim.

    Demetrios Galvão, poeta e editor.

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    a cicatriz que canta o incêndio