Ágnes Souza - Editora Moinhos

Ágnes Souza

Pernambucana, nascida em junho de 1992, é mestra em teoria da literatura e doutoranda em teoria da literatura pela UFPE. Tem Sol e Vênus dividindo o mesmo lugar. Publicou seu primeiro livro re-cordis (2016) pela Editora Moinhos. Também publicou poemas em revistas eletrônicas, no Brasil, como a Ruído Manifestto (SP), e em Portugal, como A Bacana.

  • Pouso

    Algumas pessoas nasceram para o amor, outras para desafiá-lo. Algumas flutuam e transbordam sem limites; outras represam. De uma forma ou de outra, o amor nos incita a pular de seu topo e esse mergulho é uma questão de arbítrio, assim como pousar, para permanecer ou simplesmente partir. Tudo é um risco, pois o pouso sucede o voo e precede a queda, ou seja, o amor e sua insurgência é êxtase no auge de seus delírios e dor em seu letal abandono. Os poemas desse Pouso, segundo livro de Ágnes Souza, flertam e criam um diálogo epistolar com a ausência, em um mundo fora de órbita, que nos convida a imergir no emaranhado do fluxo de consciência da persona que ama. Nos faz perder a noção de profundidade desse sentimento que passeia pelos cômodos, pela memória, pelo corpo, pela cidade, pelo cotidiano; que se derrama pelo livro, nos deixa vulneráveis e nos afeta com a força, serena e intensa, de sua correnteza. Como disse a autora, “amar é criar intimidade com a queda” e se eu fosse você, eu não teria medo do pouso nem de dar com a cabeça no amor.

    Luna Vitrolira

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  • re-cordis

    Quando não há tempo para poesia a poesia inventa um tempo. O tempo de uma música, o tempo de um cigarro, o tempo de uma cerveja apressada, o tempo do ônibus em uma parada, o tempo da espera na fila. A poesia, sendo um dos gêneros literários mais anarquistas, também foi o que melhor se adaptou ao fluir do próprio tempo, e existe resistindo bravamente, esquivando-se dos comentários pueris de que o tempo dela se esgotou. Os poemas desse livro, re-cordis, é uma questão de tempo, não só pelo fato de a poeta Ágnes Souza escrever poemas quase que instantâneos, talvez o tempo de uma bala, mas pela duração, leia-se, reverberação dos cinco, seis versos, que muitas vezes compõem cada um dos poemas desse livro. Funciona assim, você para rapidamente em um banco de uma praça, abre o livro e em três segundos você leu um poema, qualquer outro fator externo pode lhe atrapalhar, sua atenção pode ser desviada, mas aqueles segundos de versos podem durar o dia inteiro. Esse é o encanto de poemas curtos quando bem escritos, esse é o encanto do re-cordis. Então, Que tal um tempinho para um poema?

    por Talles Azigon

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    re-cordis