Jokha Alharthi
Publicação

A literatura de Omã e Jokha Alharthi

4 de junho de 2020

Quantos autores de língua árabe você leu nos últimos tempos? E sendo um pouco mais precisa, quantos autores do Omã? Pelas nossas pesquisas, até o momento, nenhum autor ou autora desse país havia sido publicado no Brasil, então é com muita alegria que anunciamos o novo livro de nosso catálogo, “Damas da Lua” de Johka Alharthi. Ficamos muito felizes com essa publicação por diversos motivos, mas principalmente por trazermos uma autora mulher desse país ainda desconhecido para nós e também porque ele foi o ganhador do prêmio literário Man Booker International em maio do ano passado. 

Uma curiosidade sobre o Man Booker International: na história da premiação, apenas seis autores árabes foram indicados, e a Johka Alharthi foi a primeira pessoa do golfo pérsico a ganhar o prêmio. A literatura desses países ainda é muito restrita, com poucas traduções para outras línguas. A importância do prêmio contribui para que outras editoras se interessem pela obra, fazendo ela chegar a leitores do mundo todo. Em breve, vamos escrever mais sobre ela e apresentar melhor a obra, mas antes queríamos conversar sobre a Literatura do Omã

Mesmo nos Estados Unidos, que possui um imenso mercado editorial, há poucas obras do Omã traduzidas, como “Earth Weeps, Saturn Laughs”, de Abdulaziz Al Farsi, e tradução de Nancy Roberts. Outro exemplo é “My Grandmother’s Stories: Folk Tales from Dhofar”, obra transcrita por Khadija bint Alawi al-Dhahab. 

Um dos nomes mais interessantes é Emilie Ruete, nascida em 1844, ela era filha do sultão de Zanzibar e Omã. Em 1867, ela se casou com um alemão chamado Rudolph Heinrich Ruete, e publicou, em 1886, a obra “Memórias de uma Princesa Árabe”. No livro ela descreve suas experiências como uma jovem árabe na cultura e na sociedade de Zanzibar. Num dos capítulos, ela tenta mudar a ideia que o ocidente tinha das mulheres, e conta a história de uma tia-avó que é regente e comandante militar no Omã. 

Outro nome pra vocês conhecerem é Saif al-Rahbi, nascido em 1956, um escritor, ensaísta e escritor omani. Ele estudou no Cairo e viveu em diversos lugares como Paris e Londres. Seu livro “The Bells of Rapture”, de 1985, o transformou num grande nome da poesia árabe. Ele foi um dos jurados do Arabic Booker Prize, em 2010, e atualmente é editor da revista cultural Nizwa. 

Além desse nomes, o jovem Mohammed Alfazari também tem um nome importante na literatura omani. Ele é fundador e editor da revista de notícias Muwatin Media Network. Ele já foi preso diversas vezes por oposição ao governo e possui três obras publicadas, dois romances e um livro de artigos e entrevistas. 

O Omã tem outra escritora importante, Badriyya al-Badri. Ela já publicou três romances e duas coletâneas de poesia. Outros nomes da literatura omani são Zahran al-Qasimi, Sulaiman al Maamari, Bushra Khalfan, Huda Hamed e Azhar Ahmed.

Para quem quer saber mais sobre a literatura desse país, o livro “The Oxford Handbook of Arab Novelistic Traditions”, editado por Waïl S. Hassan, possui um capítulo dedicado aos escritores do Omã.

E agora a Moinhos apresenta aos nossos leitores, “Damas da Lua”, de Johka Alharthi. Semana que vem a gente volta aqui no blog para falar mais dela!

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